
A tecnologia dos novos radares, utilizados tanto nas estradas quanto no perímetro urbano de algumas cidades, ampliou de forma expressiva as autuações por excesso de velocidade no Rio Grande do Sul. Desde fevereiro, o Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM) opera com 30 equipamentos com mais alcance e memória do que os utilizados até janeiro. O diferencial é a possibilidade de flagrar irregularidades mesmo durante a noite. De março até o final de agosto, os aparelhos emitiram 1.574 autuações somente no período noturno de um total de 155 mil, enquanto que, no mesmo período do ano passado, foram 22 mil infrações detectadas por radar a luz do dia e nenhuma depois de o sol se pôr. A alta é superior a 600%.
“Anteriormente não tínhamos como fiscalizar a velocidade à noite, porque a tecnologia não permitia”, explicou o comandante do CRBM, coronel Fernando Alberto Grillo Moreira. “No ano passado, tínhamos poucos radares e eles eram muito inferiores aos que dispomos hoje. Além disso, não captavam à longa distância”, completou o chefe de Operações e Treinamento do CRBM, Roberto dos Santos Donato. Conforme ele, há uma média mensal de 4 mil autuações por posto policial. “Já distribuímos os radares para os locais de maior incidência de acidentes e também de maior volume de tráfego”, informou.
O que mais motiva multas no Rio Grande do Sul é o excesso de velocidade. De janeiro a julho, o Detran/RS computou 618.994 infrações por esse artigo. Já no mesmo período do ano passado, foram 603.499. O aumento chegou a 2,6%.
Já o chefe de Comunicação da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Alessandro Castro, confirmou que, desde dezembro, a PRF usa 16 novos equipamentos que permitem fotografar à noite. O órgão iniciou, em agosto, a Operação Hermes, que consiste na colocação de dois radares em sequência para flagrar quem volta a acelerar depois de passar pelo primeiro equipamento, para intensificar a fiscalização. Em 30 dias, houve aumento de 150% no número de autuações e 10% de redução no total de mortes. Entre 18 de agosto a 14 de setembro foram 34,4 mil autuações. No mesmo período de 2013 foram 13,7 mil.
Na Capital, 11,3 mil levaram multa
A aquisição de quatro novos radares no ano passado, na Capital, qualificou a abordagem. Eles passaram a ser usados com mais frequência em 15 de julho deste ano e, desde lá, mais de 11,3 mil autuações por excesso de velocidade já foram geradas. O coordenador-geral de Fiscalização de Porto Alegre, João Carlos Ferraz, entende que a diminuição de acidentes no período tenha sido reflexo da melhora da fiscalização. Ele explica que os equipamentos são capazes de multar tanto motocicletas, como carros na mesma operação, o que não era possível com a tecnologia antiga.
Antes do reforço, no primeiro semestre do ano, a média de autuações em Porto Alegre foi de 0,29 para cada veículo. O resultado colocou a cidade como a capital brasileira com menos multas no trânsito. Goiânia ficou no topo do ranking com a média de 0,77, seguida por São Paulo (0,69) e Rio de Janeiro (0,60). Os dados são dos órgãos regionais de trânsito. O número de veículos na Capital era de 817.386 em junho deste ano.