- Diego Costa puxa a lista dos brasileiros naturalizados na Copa do Mundo (Foto: EFE)
Na hora que o hino tocar antes dos jogos da Copa do Mundo, boa parte dos atletas no gramado poderá ficar sem cantar a letra inteira. Dos 960 jogadores pré-convocados para o torneio, 106 (11,1%) são naturalizados e poderão até enfrentar seus países de origem. Entre as equipes que disputarão o Mundial, somente Brasil, Rússia, Colômbia, Honduras e Coreia do Sul não contam com nenhum atleta naturalizado em suas Relações de 30 jogadores a Fifa. O time com mais “estrangeiros” é a Argélia, que conta com 21 franceses na pré-lista do técnico Vahid Halilhodzic.

Além dos que atuarão pela seleção argelina, a França ainda tem jogadores espalhados pelas seleções de Camarões, Costa do Marfim, Argentina, Portugal e Gana, chegando a 33 jogadores que preferiram defender outro país na Copa. A Alemanha aparece logo depois como a principal fornecedora de mão de obra, com 15 atletas naturalizados. O Brasil, que conta com casos polêmicos como o atacante Diego Costa, que optou pela Espanha, e, recentemente, o volante Rômulo, convocado pela Itália, pode ter até oito jogadores defendendo outras seleções na Copa em casa.


O jogador de 27 anos passou pela base do Atlético-MG e Atlético-PR e em 2007, após defender o Paulista, foi para o Dínamo Zagreb, onde foi um dos destaques da equipe. Em 2012 recebeu o convite para jogar pela Croácia. Apesar da presença na pré-lista, Sammir ainda não está confirmado por Niko Kovac na convocação final.
O caso de maior repercussão entre os brasileiros que podem defender outras seleções na Copa de 2014 é o de Diego Costa. O sergipano chegou em Portugal aos 16 anos e agora está no Atlético de Madrid, atual campeão espanhol. Por conta das boas temporadas pelos colchoneros, Diego foi convocado para dois amistosos pelo técnico Luiz Felipe Scolari e atuou por 33 minutos com a amarelinha. Apesar disso, como não eram partidas oficiais, o atacante pôde fazer a escolha pela Espanha e está na pré-lista de Vicente del Bosque.
Na Itália, os volantes Thiago Motta e Rômulo são os representantes do Brasil. Thiago fez sua base no Juventude e chegou ao Barcelona B com 18 anos. O volante foi convocado para as seleções do Brasil sub-17 e sub-23, mas na transição para a seleção principal, optou pela italiana. No caso de Rômulo, o volante de 26 anos do Verona chegou à Itália somente em 2011, para defender a Fiorentina.

No Brasil, ganhou destaque na Chapecoense em 2009, quando foi vice-campeão catarinense. Passou por Cruzeiro e Atlético-PR antes de ir para o futebol italiano, onde foi chamado para a lista inicial do técnico Cesare Prandelli. Entretanto, Rômulo ainda terá que mostrar serviço para ter presença garantida na lista final.
O zagueiro luso-brasileiro Pepe é outro caso de quem teve poucas chances no Brasil e aos 17 anos deixou o Corinthians-AL para fazer carreira no futebol português, defendendo o Monte Agraço. Em 2007, em seu último ano pelo Porto, o zagueiro se naturalizou português e recebeu as primeiras convocações para a seleção lusa.
Fechando a relação de brasileiros naturalizados está o zagueiroMarcos Gonzáles, que vestirá a camisa da seleção chilena. O ex-jogador do Flamengo nasceu no Rio de Janeiro, mas a família mudou-se para o Chile quando ele tinha apenas um ano de idade. Gonzalez fez sua carreira no futebol chileno e ganhou espaço na seleção.
SEM ESPAÇO NA FRANÇA

Neste cenário com tantos jogadores naturalizados, o caso da Argélia é o que mais chama a atenção, pois há a possibilidade de apenas dois argelinos serem convocados e o restante da seleção ser formada por franceses.
Na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, o país passou por situação semelhante: dos 23 convocados, 17 eram franceses. Segundo o jornalista Eric Frosio, do jornal francês “L’Equipe”, um dos motivos para a França ser o país que mais cede jogadores para outras nações são as migrações na década de 1960.
– São filhos de uma geração que migrou para a França nos anos 60 e podem defender a Argélia. Como são jogadores que não teriam oportunidades na seleção francesa, optaram pela segunda nacionalidade – explicou.
Vale lembrar o caso do craque Zinedine Zidane, francês, mas filho de pais argelinos. Portanto, apto para optar pela seleção argelina. Zizou chegou a ser sondado e cogitou a possibilidade de defender a Argélia, mas optou pela seleção francesa, na qual foi fundamental para a conquista do título mundial em 1998, diante do Brasil na Copa de 1998. Agora, muitos jogadores fazem o caminho contrário.
Apesar dos 33 naturalizados, Frosio admite que não há uma preocupação com a possível perda de um grande jogador. O jornalista ainda explica a situação do meia Feighouli, com passagens pela seleção de base francesa, mas que optou por defender a Argélia.

– Na na maioria dos casos eles escolhem outro caminho quando percebem que não vão defender a seleção francesa. Os melhores sempre vão defender a seleção francesa. O Feghouli é um jogador interessante, mas não é um cara que vai fazer a diferença. A opinião pública não ficou revoltada porque ele virou as costas para a França. O dia que isso acontecer com um grande jogador, como um Benzema, será uma revolução.
Na lista dos 30 pré-convocados da seleção argelina, apenas Mohamed Lamine, Azzedine Doukha, Madjid Bougherra, Faouzi Ghoulam, Rafik Halliche, Essaïd Belkalem, Abdelmoumen Djabou, Islam Slimani e Hilal Soudani não são naturalizados. Além dos argelinos, a seleção de Camarões é outra que também aproveita atletas nascidos na França, mas sem chances nos Bleus. Neste caso, foram cinco franco-camaroneses convocados, com destaque para Kana Armel. O zagueiro defendeu a seleção sub-21 da França em 2009, e em 2012 optou por vestir a camisa dos Leões Indomáveis.
Ainda entre os africanos, Gana, conta com cinco jogadores naturalizados, todos descendentes de ganeses. A seleção reúne os irmãos Andre Ayew e Jordan Ayew, filhos de Abedi Pele, o melhor jogador ganês de todos os tempos. Mas também já separou irmãos, pois Kevin-Prince Boateng optou pela seleção africana por causa de sua ascendência, enquanto Jerome Boateng optou pela Alemanha.
Logo depois da Argélia, Croácia e Bósnia aparecem como as duas principais seleções em naturalizações. Nestes dois casos, há a influência da extinção da antiga Iugoslávia. Vários jogadores nascidos até 1992 tiveram que fazer a opção por sua nova pátria e em alguns casos, bósnios viraram croatas e vice-versa.
Na Croácia, Dejan Lovren, Vedran Corluka e Nikica Jelavic nasceram em cidades que posteriormente ficaram com a Bósnia, mas optaram por defender a seleção croata. O contrário também ocorreu, com os zagueiros Emir Spahic, Ermin Bicakcic e Mensur Mujdza, que foram convocados pela Bósnia.
Nos Estados Unidos chama a atenção o fato de cinco alemães aparecerem na relação dos 30 nomes pré-convocados. John Brooks, Timmy Chandler, Fabian Johnson, Jermaine Jones e Terrence Boyd contam com o benefício da dupla nacionalidade, pois seus seus pais serviam às forças armadas americanas, que mantêm bases no território alemão desde o fim da Segunda Guerra Mundial
O caso de Jermain Jones é o de maior destaque entre os americanos. O volante defendeu as seleções de base da Alemanha e também foi convocado para alguns amistosos. Entretanto, após ficar fora da Euro de 2008, optou por defender a seleção dos Estados Unidos.

O atacante Higuaín, ex-Real Madrid e atualmente destaque do Napoli, é uma das peças-chave de Alejandro Sabella na seleção argentina. Mas o destino do jogador poderia ser diferente: o camisa 9 nasceu na França e decidiu defender os “hermanos”.
Filho do ex-jogador argentino Jorge Higuaín, o craque do Napoli é natural de Brest, mas aos dois anos de idade mudou-se com a família para a Argentina.
O meia palmeirense Jorge Valdívia viveu situação parecida: deixou a Venezuela aos três anos, quando sua família se mudou para o Chile, e aos 18 concluiu seu processo de naturalização. O goleiro Fernando Muslera, filho de pais uruguaios, nasceu na Argentina e com oito meses a família retornou ao país de origem.
CONFIRA ABAIXO TODOS OS NATURALIZADOS NAS 32 PRÉ-LISTAS
Argélia
Raïs M’Bolhi (CSKA Sofia) – França
Cédric Si Mohamed (CS Constantine) – França
Carl Medjani (Valenciennes-FRA) – França
Aïssa Mandi (Reims-FRA) – França
Madjid Bougherra (Lekhwiya) – França
Faouzi Ghoulam (Napoli-ITA) – França
Liassine Cadamuro (Mallorca) – França
Mehdi Mostefa (AC Ajaccio-FRA) – França
Ryad Boudebouz (Bastia-FRA) – França
Saphir Taider (Inter de Milão-ITA) – França
Adlène Guedioura (Crystal Palace-ITA) – França
Amir Karaoui (ES Sétif) – França
Medhi Lacen (Getafe-ESP) – França
Hassan Yebda (Udinese-ITA) – França
Yacine Brahimi (Granada-ESP) – França
Nabil Bentaleb (Tottenham-ING) – França
Foued Kadir (Rennes-FRA) – França
Sofiane Feghouli (Valencia-ESP) – França
Rafik Djebbour (Nottingham Forest-ING) – França
Nabil Ghilas (Porto-POR) – França
Ryad Mahrez (Leicester-ING) – França
Croácia
Dejan Lovren (Southampton) – Bosnia
Vedran Corluka (Lokomotiv Moscow) – Bosnia
Ivan Rakitic (Sevilla) – Suiça
Mateo Kovacic (Internazionale) – Austria
Ivo Ilicevic (Hamburgo) – Alemanha
Mario Pasalic (Hadjuk Split) – Alemanha
Sammir (Getafe) – Brasil
Nikica Jelavic (Hull City) – Bosnia
Eduardo da Silva (Shakhtar Donetsk) – Brasil
Bósnia
Spahic (Bayer Leverkusen) – Croácia
Kolasinac (Schalke) – Alemanha
Bicakcic (Eintracht Braunschweig) – Croácia
Mujdza (Freiburg) – Croácia
Misimovic (Guizhou Renhe) – Alemanha
Hajrovic (Galatasaray) – Suiça
Besic (Ferencvaros) – Alemanha
Grécia
Avraam Papadopoulos (Olympiakos) – Austrália
Jose Holebas (Olympiakos) – Alemanha
Loukas Vyntra (Levante) – Rpública Tcheca
Sotiris Ninis (PAOK) – Albânia
Panagiotis Kone (Bologna) – Albânia
Dimitris Papadopoulos (Atromitos) – Uzbequistão
Sotiris Ninis – Albânia
Camarões
Charles Itange (Konyaspor-TUR) – França
Allan Nyom (Granada) – França
Biyick Kana Armel (Rennes) – França
Benoît Assou-Ekotto (QPR) – França
Joel Matip (Schalke 04) – Alemanha
Cedric Loe (Osasuna) – França
Eric Choupo Moting (Mainz) – Alemananha
Chile
Marcos González (Unión Española) – Brasil
Miiko Albornoz (Malmö) – Suécia
Pablo Hernández (O’Higgins) – Argentina
Matías Fernández (Fiorentina) – Argentina
Gustavo Canales (Unión Española) – Argentina
Valdívia (Palmeiras) – Venezuela
Estados Unidos
John Brooks (Hertha Berlin) – Alemanha
Timmy Chandler (Nürnberg) – Alemanha
Fabian Johnson (Hoffenheim) – Alemanha
Mix Diskerud (Rosenborg) – Noruega
Jermaine Jones (Besiktas) – Alemanha
Terrence Boyd (Rapid Vienna) – Alemanha
Portugal
Anthony Lopes (Lyon) – França
Pepe (Real Madrid) – Brasil
Rolando (Inter de Milão) – Cabo Verde
William Carvalho (Sporting) – Angola
Éder (Braga) – Guiné BIssau
Nani (Manchester United) – Cabo Verde
Gana
Adam Larsen Kwarasey (Strømsgodset – NOR) – Noruega
Andre Ayew (Olympique – FRA) – França
Albert Adomah (Middlesbrough – ING) – Inglaterra
Kevin-Prince Boateng (Schalke – ALE) – Alemanha
Jordan Ayew (Sochaux – FRA) – França
Suiça
Valon Behrami (Napoli) – Sérvia
Blerim Dzemaili (Napoli) – Macedônia
Gelson Fernandes (Freiburg) – Cabo Verde
Admir Mehmedi (Freiburg) – Macedônia
Xherdan Shaqiri – Sérvia
Costa do Marfim
Jean-Daniel Akpa-Akpro (Toulouse) – França
Souleman Bamba (Trabzonspor) – França
Mathis Bolly (Fortuna Dusseldorf) – Noruega
Giovanni Sio (Basel) – França
França
Steve Mandanda (Olympique de Marselha) – Zaire
Patrice Evra (Manchester United) – Senegal
Rio Mavuba (Lille) – Angola
Itália
Paletta (Parma) – Argentina
Thiago Motta (Paris Saint Germain) – Brasil
Rômulo (Verona) – Brasil
Espanha
Thiago Alcântara (Bayern de Munique) – Itália
Diego Costa (Atlético de Madrid) – Brasil
Alemanha
Miroslav Klose (Lazio) – Polônia
Lukas Podolski (Arsenal) – Polônia
México
Isaac Brizuela (Toluca) – EUA
Miguel Ponce (Toluca) – EUA
Holanda
Bruno Martins Indi (Feyenoord) – Portugal
Jonathan de Guzman (Swansea) – Canadá
Irã
Daniel Davari (Eintracht Braunschweig) – Alemanha
Steven (Mehrdad) – EUA
Austrália
Dario Vidosic (Sion) – Croácia
Japão
Gotoku Sakai (Stuttgart-ALE) – EUA
Uruguai
Fernando Muslera (Galatasaray-TUR) – Argentina
Costa Rica
Oscar Duarte (Brujas – BEL) – Nicarágua
Inglaterra
Raheem Sterling (Liverpool) – Jamaica
Argentina
Gonzalo Higuaín (Napoli) – França
Nigéria
Osaze Odemwingie (Stoke Cty – ING) – Uzbequistão
Bélgica
Anthony Vanden Borre (Anderlecht) – Congo
