
Apesar do empate em 0 a 0 com o Criciúma no último fim de semana, o Colorado tem motivos de sobra para comemorar. Após vencer o Gauchão, o time avançou na Copa do Brasil, alcançou e se mantém na liderança do Brasileirão. A boa fase – ainda que alguns resultados não tenham saído como o esperado – irá de encontro com outros momentos de glória do clube na noite desta quarta-feira, no Estádio Couto Pereira. Pela sexta rodada do Nacional, Abel Braga e Celso Roth duelarão no comando de Inter e Coritiba. Justamente os dois técnicos que levaram os colorados às duas conquistas da Libertadores, em 2006 e 2010.
A taça continental, aliás, os colocou em outro patamar. Antes, sofriam contestações em seus trabalhos pela falta de uma taça representativa, o que se findou com o triunfo da Libertadores. Embora tenham visões de futebol distintas, têm estilos de trabalhos semelhantes. Rapidamente conquistam o grupo de jogadores e implantam suas ideias.
Fernando Carvalho era o presidente em 2006. Em 2010, atuava como vice de futebol. Admirador de ambos os treinadores, explica a maneira de trabalhar da dupla, e aproveita para elogiar a mudança que Abel realizou no Colorado em 2014:
– São dois grandes profissionais. Eles logo tomam conta do ambiente e do grupo. Você vê em poucas semanas de treinamento que o time tem um técnico. O Abel voltou neste ano com quase o mesmo time que estava ano passado, que quase caiu. Em dois meses deu uma cara e o time não perde. O Celso pegou em 2010 um time que não tinha vencido fora na Libertadores. Montou uma equipe extremamente competitiva, que foi maravilhosa contra o Chivas. Eles procuram tirar do seu time, montam a estratégia conforme o que dispõem dos jogadores. Por isso o sucesso.
Os caminhos traçados pelos dois até levantar o cobiçado troféu foram distintos. Abelão voltava ao clube após 11 anos. A missão era levar o time, que havia ficado com o vice-campeonato no Brasileirão do ano anterior, marcado pela polêmica anulação de 11 partidas, ao inédito título. A campanha foi quase irretocável.
Na fase de grupos, ficou com o segundo melhor rendimento no geral, somando 14 pontos de 18 possíveis. Nas fases eliminatórias seguiu forte. A única derrota ocorreu nas quartas de final, por 2 a 1 para a LDU, na altitude de Quito. Na decisão, superou o São Paulo por 2 a 1 no Morumbi e empatou em 2 a 2 no Beira-Rio. Índio, que fazia parte daquele grupo e segue no clube, agradece ao técnico por ter dado os maiores triunfos de sua carreira:
– O que vou falar do Abel? Não tenho nem palavras para falar da nossa relação aqui. Até trabalhar com ele, ainda não tinha conquistado nenhum grande título. Em 2006 tivemos a felicidade de ganhar a Libertadores e o Mundial, que são os principais títulos das nossas carreiras.
A trajetória de Roth quatro anos depois foi diferente. Já pegou a equipe nas semifinais, após Jorge Fossati ser demitido. Foi trazido para dar mais constância ao Inter, que passou nas oitavas e quartas graças ao saldo qualificado (perdeu por 3 a 1 para o Banfield fora e venceu em casa por 2 a 0, e superou o Estudiantes por 1 a 0 no Beira-Rio e depois sofreu 2 a 1 como visitante). Venceu o São Paulo por 1 a 0 na casa colorada e perdeu por 2 a 1 no Morumbi. Diante do Chivas, vitória no México por 2 a 1 e em Porto Alegre por 3 a 2.
Quatro anos depois, lá estava também o histórico defensor novamente no time. E Índio desmistifica o jeito carrancudo do técnico:
– O Celso é um grande treinador, chegou em um momento difícil naquele ano e nos ajudou muito na conquista do título. Tenho uma ótima relação com ele, me ajudou bastante com conversas e dicas. Ele tem aquela imagem de mal humorado, mas dentro do vestiário tem o respeito e o carinho de todos, porque é um grande profissional e uma grande pessoa. Com certeza fez a diferença para ganhar a segunda Libertadores – comenta o zagueiro.
Além de a América ter os elevado para a outro nível na caminhada como técnicos, suas histórias também são ligadas intimamente ao Inter. Abel está em sua sexta passagem pelo clube. É o terceiro com mais jogos, com 283. Já Roth teve sua primeira oportunidade em um time de ponta no Inter, em 1997. Depois, passou pelo Beira-Rio em mais duas ocasiões.
Nesta quarta-feira, apesar de estar do outro lado, Celso Roth certamente receberá o tradicional abraço dos ex-comandados no campo. O técnico, que ainda tenta implantar sua metodologia de trabalho no Coxa, buscará a primeira vitória, enquanto o Inter tentará o primeiro triunfo como visitante para se manter no topo da tabela.
Fernando Carvalho aposta no maior tempo de trabalho de Abel para ficar com os três pontos:
– Eu torço pelo Celso profissionalmente. O Inter tem a vantagem de estar montado há mais tempo, mas será muito complicado.
A partir das 19h30, a história de Roth pelo Inter ficará de lado. Os colorados estarão focados em ajudar Abelão a mais um bom resultado.